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quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Quase Enterrada Viva!!! Virgiiii....

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Deu no jornal. Antes da tampa do caixão ser fechada alguém notou que havia uma réstia de vida. Tiraram dona Maria das Dores dali; e rápido como rápido se faz essas coisas - mais rápido que um sinal da cruz - levaram-na de volta para o hospital. Morreu dois dias depois, e aí, de verdade; desta vez sem sobressaltos. A ida e a vinda portanto podem ter parecido um adiamento inútil para dona Maria, portadora de Alzheimer e definitivamente inconsciente. A lástima ficou com os parentes.
Mas talvez não tenha sido bem assim. Quase tiraram dois dias daquela senhora de 88. E seja com 20 ou com 100, um dia vale ouro - quem compreende isso é rei. E quem há de saber o que se passou com a dona Maria das Dores nessas horas que quase lhe foram roubadas?
Imersa na medicação, com os neurônios desconjuntados, num vai e vem entre o hospital e o cemitério, dona Maria, acredito, aproveitou para sonhar. Um sonho longo de memórias, fantasias e recordações. (E como não sei nada sobre ela, só me cabe imaginar.)
Primeiro sonhou a velha senhora com o sol, e com tal intensidade que quase sentiu que a pele lhe ardia. Que falta haverá de fazer o sol! A partir do sol surgiu-lhe o rosto da mãe, jovem como nunca - as mães saltitam na nossa memória afetiva como pipoca no azeite quente. Podia sentir o cheiro do casaco perfumoso dela, podia lembrar de diferentes doçuras que vinham da sua voz enquanto sussurrava uma canção vitalícia.
Um sonho é como uma teia tecida por uma aranha particular, parece aleatório, mas o desejo da aranha é capturar qualquer fragmento solto na memória. De maneira que dona Maria passou dois dias que eram seus - mas quase lhe foram roubados - tecendo sua última teia. Ao recordar-se que uma vez dormiu na missa, por exemplo, dona Maria das Dores riu. Lembrou-se da fúria do padre, do castigo do pai e acima de tudo, do medo que sentiu da punição de Deus.
Mas agora não tinha mais medo. Embalada numa sequência abstrata, como num filme do Godard, ela fluía sem roteiro definido. Percebeu a rotina do tempo, a inutilidade das queixas, a saudade infinita da infância. Excluiu sofrimentos, mas guardou de propósito algumas tristezas (o espinho valoriza o perfume da rosa). Distraiu-se imaginando que podia produzir uma lágrima.
Enfim, a velha senhora aproveitou as últimas horas da melhor forma que conseguiu: sonhando. E o que é a vida, senão a soma de um sonho pra trás e um sonho pra frente? De maneira que dois dias depois; de volta ao caixão adiado, mas guardado para ela, dona Maria das Dores pôde finalmente acordar.

Texto de Jose Pedro Goulart

Que coisa né gente???  A gente pensa que já viu de tudo...e fazia tempos
que não ouviamos uma noticias dessas...nos dias atuais com a medicina tão
avançada...mas como isso deu-se sabe-se lá onde...só nos retas pensar
e rezar para que não aconteça tão facilmente.


Bjos no

2 comentários:

Angeline disse...

Oi Fátima
Tudo bem.
Espero que tenhas passado um Feliz Natal.
Dizem que para morrer bastar estar vivo...
Mas, para ser enterrado não basta estar morto e sim ter a certeza que se está morto...Mas como saber disso??? Os outros é que devem saber lógico ... rs rs rs...
Será que foi incompetência ou sei lá essas peças que a vida prega...
Deus que me livre de uma dessas...
Beijo no coração.

Sônia Silvino disse...

Fatima querida!
Infelizmente, li no jornal que ela acabou morrendo!
Enquanto o Ano Novo não vem,
eu venho ler as novidades e deixar uma reflexão para você:

"Mais um ano chega ao fim.
Para alguns marcados por extrema alegria
Para outros embargados de dor.

Nesse momento é hora de refletir.

Como foi nosso ano?
Conseguimos conquistar nossos ideais?
Será que relamente lutamos por eles?

Demos o abraço que nosso irmão tanto queria, ou viramos as costas não se importando com ele?
Pedimos perdão pelas nossas falhas, ou o orgulho não deixou?
Fomos amigos e companheiros com nosso colega de trabalho, ou simplesmente fazíamos nosso trabalho sem se importar com o outro tão perto de nós? Estivemos presente na vida de nossos filhos, de nossos maridos, esposas?

Enfim, depois de tantas perguntas nos vêm mais uma pergunta:
Será que teremos uma outra chance?
Para um pedido de desculpas,
Uma reconciliação,
Uma dúvida não respondida
Um amor encontrado
Uma dor desaparecida
Um grito de alívio
Um beijo, um abraço que não foi dado?

Meu Deus... nos dê forças, nos dê saúde, nos dê a chance de fazer o que deveria ser feito, consertar nossos erros, de sermos amigos, companheiros, compreensivos, mãe, pai, filha, filho, esposa, esposo.

Nos dê a chance de viver cada vez mais o amor verdadeiro de Cristo."

A todos os blogueiros amigos e talentosos, um Ano Novo cheio de sucesso, amizades e muita felicidade!
Em especial a você que tem um lugar cativo no meu coração: Feliz 2011!
Beijos, muitos!
Sônia Silvino's Blogs
Vários temas & um só coração!

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